sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Museu do Folclore valoriza a transmissão de saberes por meio do programa Museu Vivo

Luis da Taboa, como é conhecido, mostrará o seu saber
Foto:
Fábio Bueno/MFSJC
A palavra tradição, que traz em seu significado a transmissão de saberes, costumes, comportamentos, memórias, crenças e lendas, de geração em geração, exemplifica muito bem uma das características da cultura popular. Na região, essa transmissão é valorizada pelo programa Museu Vivo, do Museu do Folclore de São José dos Campos, que reúne representantes da cultura popular regional nas áreas de artesanato, culinária e música. A atividade acontece aos domingos, das 14h às 17h.

Neste domingo (17), um dos convidados para o encontro é o paranaense Luis Pereira dos Santos, 55 anos, conhecido como ‘Luiz da Taboa’. O apelido vem da matéria prima que ele utiliza para fazer peças de artesanato, como cestas, bolsas e cadeiras. A taboa (planta aquática de fibra durável e resistente) está presente na sua família há gerações e acabou gerando uma possibilidade profissional quando esteve desempregado.

Luis conta que seu avô, Manuel dos Santos, empregava a taboa para diversos fins, como para fazer forro de casas, esteiras, cadeiras e mesas. “Meu avô trabalhava totalmente com a taboa e meu pai o ajudou quando era criança. Depois, em São José, meu pai retomou o artesanato com a planta e foi assim que eu aprendi também, olhando ele fazer e fazendo junto”, ressaltou Luis.  

Uma receita especial 

Aos 65 anos, a mineira Isabel de Fátima Santos Azevedo sabe fazer uma boa variedade de salgados e doces. No domingo ela vai fazer um bolo de coco que aprendeu com sua avó, Carmelina, e com sua mãe, Aparecida, em Minas Gerais, na região de São Lourenço. Fátima conta que, por morar perto da sua avó, conviveu durante muito tempo com ela e aprendeu muitos dos seus saberes e fazeres.

Fátima tem na memória a destreza da avó com os pratos e matéria prima advindos da mandioca, como farinha, polvilho, bolos, bolinhos, pudim e outros. É nas festas da igreja que ela, tradicionalmente, exerce seus saberes populares na comunidade, fazendo cuscuz, pastéis, bolinhos, tortas, bolinho caipira e outros quitutes. 

Viola e cantoria 

Outro paranaense, José Roberlei Turibio, 56 anos, será a atração musical do ‘Museu Vivo’ de domingo. Com mais de 25 anos tocando e cantando em programas de rádio, ele fará dupla com Ruan Vale. Sua primeira música sertaneja, Mobilete, foi feita em homenagem à prima Janete. O primeiro trabalho gravado aconteceu com o compadre Ramiro, quando formaram a dupla Ramiro e Roberlei.

Sua história como violeiro, cantor e compositor inclui um bom relacionamento com o apresentador de música sertaneja Reizinho, novas parcerias, que resultaram em composições conjuntas; participação em programas de televisão, gravação com cantor famoso e até participação em festivais, com direito a prêmios.

O Museu do Folclore é um espaço da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, cuja gestão é feita pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com sede em São José dos Campos.

Museu do Folclore de SJC
Av. Olivo Gomes, 100 – Parque da Cidade – Santana
(12) 3924-7318

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

‘Museu Vivo’ deste domingo (10) tem artesão inventor, receita de sequilho e moda de viola

Seu Pedro diz que o artesanato entrou na sua vida por acaso
Foto:
Fábio Bueno/ Museu do Folclore
Meio artesão, meio inventor. É assim que Pedro Galvão de Moura, 67 anos, se reconhece e se identifica, ao criar tudo o que sua imaginação permite, utilizando material reciclável (principalmente lata). Boa parte do que produz é em miniatura. São aviões feitos com lâmpadas de emergência, charretes, cata-ventos, maquetes de ponto de ônibus e de casas, além de utensílios de cozinha, como panelas de pressão.

Apesar de ter nascido em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, Pedro Galvão veio para São José dos Campos com poucos meses de idade, Por isso, já se considera um joseense. Na fazenda onde cresceu aprendeu os ofícios da roça e só aos 14 anos começou a frequentar uma escola. Apesar disso, pegou gosto pelo estudo, mas nunca deixou a brincadeira de lado.

Confira no vídeo um pouco mais sobre a sua história

O artesanato entrou em sua vida por acaso e quando já era adulto, ao ganhar da sua mulher uma miniatura de panela de pressão, feita de lata. “Você faz muito melhor que isso, não faz?”, perguntou ela. Mesmo achando que não compensava perder tempo com aquilo, aceitou o desafio e logo descobriu o quanto era criativo. “Hoje já fiz mais de mil dessas panelinhas”, diz ele.

Seu Pedro, como é conhecido, estará domingo (10) no Museu do Folclore de São José dos Campos, ao lado de outros representantes da cultura popular regional, participando do programa Museu Vivo. Além dele, também vão mostrar seus saberes a aposentada Maria Aparecida Fonseca Ribeiro (culinária) e os violeiros Gevaldo Correia dos Santos e Geraldo Candido (música). A atividade é aberta ao público e acontece das 14h às 17h.

Música entre família

Gevaldo vai mostrar seu saber na música
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Fábio Bueno/Museu do Folclore
Foi no estado do Paraná que o sergipano Gevaldo Correia dos Santos, 60 anos, conheceu e desenvolveu seu gosto pela música caipira. Aprendeu a tocar em meio ao convívio da família, formada por 10 homens e 4 mulheres. Seu pai era agricultor e também tocava, tanto com os filhos como com amigos, na área rural de São João de Ivaí (PR).

“Eu comecei a tocar lá e aprendi mais um pouco aqui em São José, com meu amigo do Jardim Americano”, conta Gevaldo. O amigo é Geraldo Cândido da Silva, 68 anos, que participará com ele do ‘Museu Vivo’, juntamente com outro amigo, o Zé, de São Francisco Xavier, além do seu irmão José Aparecido dos Santos. Geraldo é mineiro de Paraisópolis e de família onde todos cantam e tocam alguma coisa.

Participativa

Maria Aparecida vai fazer sequilho
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Fábio Bueno/Museu do Folclore
Maria Aparecida Fonseca Ribeiro, 70 anos, a Cida ou Cidinha, como gosta de ser chamada, volta a participar do ‘Museu Vivo’ deste domingo, para mostrar, mais uma vez, sua sabedoria na culinária. Ela vai fazer sequilho de amido de milho. “Gosto de cozinhar o trivial e não tenho receitas complicadas”, diz ela. Cida nasceu e mora em Paraibuna, onde, apesar de já estar aposentada, participa de muitas atividades.

“Atualmente sou aposentada, mas já vivi e passei de um tudo na vida. Desde 2013 participo ativamente das atividades da Fundação Cultural de Paraibuna. Iniciei na Comissão de Artes Cênicas e, há três anos, participe da Comissão de Arquivo e Patrimônio Histórico. Também faço parte do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal”, conta Cida.

Valorização

O programa Museu Vivo é realizado pelo Museu do Folclore há mais de 20 anos e seu principal objetivo é valorizar e dar visibilidade aos saberes daqueles que representam a cultura popular regional. A atividade acontece todo domingo à tarde na área externa do museu, reunindo ‘fazedores’ nas áreas de artesanato, culinária e música.

O Museu do Folclore é ligado à Fundação Cultural Cassiano Ricardo e sua gestão é feita pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com sede em São José dos Campos.

Museu do Folclore de SJC
Av. Olivo Gomes, 100 – Parque da Cidade – Santana
(12) 3924-7318 – www.museudofolclore.org

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Museu Vivo deste domingo (3) tem escultura de animais em madeira, Catira e bolo de arroz

Tatão faz reparo em um dos jacarés que foram esculpidos por ele
Foto:
Fábio Bueno/MFSJC
Quem frequenta o Parque da Cidade, em Santana, já deve ter visto as muitas figuras esculpidas em madeira (a maioria de animais), localizadas em vários pontos da imensa área verde, como se fizessem parte da fauna local. Elas são 10 ao todo e algumas chamam atenção pelo tamanho, como a de dois jacarés. Uma delas, inclusive, está sendo restaurada pelo autor, o escultor Calistrato Salles Teixeira, o Tatão, 73 anos.

Tatão é um dos representantes da cultura popular regional que participará, neste domingo (3), da primeira edição de fevereiro do programa Museu Vivo, do Museu do Folclore de São José dos Campos. Também estarão presentes Manuel dos Santos Almeida, mestre de Catira, e a comerciante Rosângela Ferreira Bueno da Silva. A programação é aberta ao público e acontece todo domingo, das 14h às 17h, na área externa do Museu do Folclore.

Escultura de animais

Nascido em Laguna (SC), Tatão vem esculpindo essas figuras no Parque da Cidade há cerca de 15 anos, aproveitando o material que a própria natureza lhe oferece, os troncos de árvores caídas. Explica que optou por esculpir figuras de animais, por serem mais aceitos pelas pessoas. “Animais não são controversos, não geram problemas”, enfatiza Tatão, que já foi aviador militar e hoje está aposentado.

“A obra nunca termina e o que eu faço aqui (no Parque da Cidade) é um desafio pessoal”, enfatiza Tatão. Quando criança, ele brincava construindo objetos ligados à aviação. Construía hangares em cartolina e aviões esculpidos em madeira. “Comecei sozinho, mas não dá para dizer que aprendi sozinho, porque tenho uma certa idade e já vi muitas obras em museus e livros de artes”.

Catira é diversão

Grupo de Catira União Lobatense do mestre Manuel dos Santos
Foto:
Fábio Bueno/MFSJC
Manuel dos Santos Almeida, 62 anos, é mestre de Catira (União Lobatense) e de Moçambique (Esperança), em Monteiro Lobato, onde nasceu e mora até hoje. Ele está no comando do grupo de Catira desde 2010, tendo assumindo o lugar do seu irmão. Conta que começou a dançar Catira em 2008 e tudo que sabe aprendeu com dois primos de segundo grau, Francisco e Antonio Rosa.

“A Catira é uma dança de origem indígena e com característica de diversão, diferente do Moçambique, que é uma dança religiosa, mas não é difícil aprender. Tem que prestar atenção nas palmas e no sapateado do mestre, além de ficar atento ao repicado da viola da dupla que canta e toca”, explica Manuel. O grupo se apresenta com 8 ou 10 pessoas, acompanhado da dupla Monteiro e Monteirinho.

Bolo de arroz

Rosângela Ferreira
“Este bolo de arroz eu aprendi a fazer aos 27 anos de idade, quando fui para Santo Antônio do Pinhal, numa festa. Chegou lá eu vi uma senhora fazendo, aí fiquei ao lado dela e ela me ensinou. Só que ela socava o arroz no pilão, aí ela falou que eu poderia deixar de molho que ficaria mais fácil”.

A explicação é da mineira Rosângela Ferreira Bueno da Silva, a Rose, 62 anos, nascida em Governador Valadares (MG), e moradora no Campos de São José. Rose é uma pessoa atuante no bairro e quando tem festa da comunidade ela costuma fazer caldos e bolos.

Ela diz que a receita é simples e o bolo é fácil de fazer. “Para três xícaras de arroz são três xícaras de açúcar. Ainda vão três ovos, duas xícaras de leite e uma colher de sopa de fermento. Deixe o arroz de molho por 4 horas, depois bata tudo no liquidificador e leve ao forno moderado, com 180 graus”.

O Museu do Folclore é um espaço da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e sua gestão é feita pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com sede em São José dos Campos. Ele funciona de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábado e domingos, das 14h às 17h.

Museu do Folclore de SJC
Av. Olivo Gomes, 100 – Santana (Parque da Cidade)
(12) 3924-7318