| Miguel Buta pesca até hoje e ensina como faz os 'covos de bambu' |
O Museu do Folclore, da Fundação
Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), convidou os ‘fazedores’ Maria José de
Oliveira (culinária), Miguel Buta (artesanato) e os violeiros Minuano e Hawai. As
atividades são abertas ao público e realizadas das 14h às 17h na área externa
do Museu do Folclore, no Parque da Cidade.
Maria José de Oliveira (70) vai
mostrar como faz bolinho da roça. Ela nasceu em Brazópolis (MG) e viveu na zona
rural, onde apanhava café, torrava farinha, ajudava o pai a construir carros de
boi e ainda fazia os serviços da casa com a mãe. Há 50 anos trocou a cidade
mineira por São José, casou, foi dona de casa, mas não deixou de fazer o
bolinho da roça que aprendeu com a mãe.
A receita do bolinho tem farinha
de milho, polvilho, água e sal, tudo frito em óleo quente. Na infância, a família
não fazia pão em casa e o bolinho, que era frito duas vezes ao dia, de manhã e à
tarde, fazia às vezes do pão. Hoje dona Maria vive de artesanato e faz também o
bolinho caipira quando junta gente em casa.
O outro ‘fazedor’ presente ao
Museu Vivo é Miguel Buta, que há 72 anos mora às margens do Rio Paraíba. Sempre
pescou e nunca trabalhou pra ninguém, mesmo no tempo em que o rio ficou poluído
e muitos largaram a pesca para trabalhar na cidade. Até hoje vende peixe no
mercado municipal, na banca do Moacir.
Ele mesmo tece as redes que usa
para pescar, faz ‘covos’ de bambu e constrói seus barcos. Anda sempre descalço,
não gosta nem de sair de casa nem de botar sapato pra ir à cidade. Para chegar
à sua casa não há estrada, é preciso andar uns 400 metros por uma
trilha sombreada, formada pela mata ciliar.
Covo é uma armadilha feita de bambu
ou linha de pesca, uma espécie de labirinto que o peixe entra e não consegue
encontrar a saída. É fixado no chão com ajuda de estacas de bambu e tem que ser
colocado em locais de correnteza.
| Minuano |
A dupla de violeiros Minuano
(Benedito Moreira – empreiteiro) e Hawai (José Ramos – funcionário da
Prefeitura) vai animar a tarde com suas interpretações. Benedito Moreira sempre
escutava alguém tocando viola no bairro e um dia foi atrás do som e descobriu
José Ramos tocando na varanda da casa e se apresentou. Isso foi há uns 8 anos,
desde então passaram a tocar juntos.
| Hawai |
Benedito canta desde pequeno,
inspirado no tio que era violonista, mas tinha um ciúme danado do violão e não
deixava o menino por a mão no instrumento. O menino, então, pegava escondido e
aprendeu sozinho enquanto o tio estava fora de casa. Um dia o tio descobriu,
ficou louco da vida, mas reconhecendo o talento do moleque passou a ensiná-lo.
Museu do Folclore: Avenida Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade,
Santana. Informações: 3924-7318.