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| Sidnei Aparecido Reis (mestre Saci) |
O Museu do Folclore de São José
dos Campos preparou uma programação especial para o Projeto Museu Vivo deste
domingo (23), que ocorre no Parque da Cidade, das 14h às 17h. Em razão do Dia
da Consciência Negra (20), as atividades vão mostrar, por meio das
manifestações da capoeira Angola, as influências da cultura africana na cultura
popular brasileira, em especial na culinária, no artesanato e na música.
Foram convidados os ‘fazedores’
Sidnei Aparecido Reis (música), Luiz Alberto de Souza (artesanato) e Denisia
Valim Silva (culinária), que estarão à disposição do público para mostrar e
falar, de maneira informal, sobre os seus ‘saberes’. A atividade acontece do
lado externo do Museu do Folclore, no mesmo horário que a exposição de longa
duração está aberta ao público para visitação.
A capoeira Angola é o estilo mais
próximo de como os negros escravos jogavam a capoeira, caracterizada por ser
mais lenta e com movimentos furtivos executados perto do solo e em cima. Ela
enfatiza as tradições da capoeira, que em sua raiz está ligada aos rituais
afro-brasileiros, como o candomblé. A música é cadenciada, orgânica e
ritualizada, acompanhada por oito instrumentos.
Música
Sidnei Aparecido Reis (mestre
Saci), joseense nascido em 1971, conta que sua paixão pela capoeira Angola
surgiu quando conheceu o mestre Cláudio, um baiano que veio a São José dos
Campos para divulgar esta linha mais tradicional da capoeira. Para conhecer
melhor esta manifestação, ele viveu dois anos na Bahia e um tempo no Rio de
Janeiro. Quando voltou abriu sua própria academia, onde procura seguir as
tradições que aprendeu. Ele também é professor de educação física e ensina
capoeira nas escolas públicas.
Quando criança tentou lutar judô
e outras artes marciais, mas sentia-se muito deslocado. Aos 13 anos resolveu
procurar a capoeira, imaginando que por causa da cor da pele se sentiria mais
integrado, pois nos livros de história ele só via negros envolvidos com a luta.
Qual não foi sua surpresa ao se dar conta que era o único negro no grupo onde
começou a treinar, mesmo enfrentando a resistência do pai que queria que ele
fizesse algo mais ‘nobre’.
Artesanato
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| Luiz Alberto Souza |
Luiz Alberto de Souza nasceu em
Três Corações (MG) em 1970 e em 1996 mudou-se para São José dos Campos em busca
de trabalho, tendo realizado assistência técnica de eletrônicos. Por ter o
espírito aventureiro e libertário procurava tudo que havia de diferente na época
e acabou encontrando a capoeira Angola, com a qual identificou-se, depois de
ter treinado por anos na capoeira regional.
Hoje ele é professor de arte no
ensino público, onde ensina capoeira Angola. Segundo Luiz Alberto, neste estilo
de capoeira todos tem que fazer de tudo e saber até mesmo construir os
instrumentos. Ele dedicou-se à construção de berimbaus e hoje dá oficinas sobre
o assunto. No ‘Museu Vivo’ ele deve ensinar a fazer um berimbau.
Culinária
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| Denísia Valim Silva |
Na culinária, Denísia Valim Silva,
mineira de Itajubá (MG) e cozinheira de congelados, vai mostrar como faz um
acaçá doce (também pode ser salgado), que tem como ingredientes a farinha de
milho branca, leite de vaca, leite de coco e açúcar, embalados em folhas de
bananeira cuidadosamente dobradas.
O acaçá é uma comida preparada e
oferecida aos orixás (aquele que cuida da nossa cabeça) do candomblé,
especificamente Iemanjá, Omulú e Oxalá, em seus dias de festas. Depois de
oferecidas aos orixás a comida pode ser consumida pelos convidados da festa. Denísia
é Mãe de Santo ou Iolarixá (palavra que define seu cargo na hierarquia do
candomblé), apesar de ter nascido em uma família católica.
Fotos: Chico Abelha
Fotos: Chico Abelha
Museu do Folclore: Avenida Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade,
Santana. Informações: 3924-7318.


