quarta-feira, 19 de novembro de 2014

‘Museu Vivo’ domingo destaca influência da cultura africana na cultura popular brasileira

Sidnei Aparecido Reis (mestre Saci)
O Museu do Folclore de São José dos Campos preparou uma programação especial para o Projeto Museu Vivo deste domingo (23), que ocorre no Parque da Cidade, das 14h às 17h. Em razão do Dia da Consciência Negra (20), as atividades vão mostrar, por meio das manifestações da capoeira Angola, as influências da cultura africana na cultura popular brasileira, em especial na culinária, no artesanato e na música.

Foram convidados os ‘fazedores’ Sidnei Aparecido Reis (música), Luiz Alberto de Souza (artesanato) e Denisia Valim Silva (culinária), que estarão à disposição do público para mostrar e falar, de maneira informal, sobre os seus ‘saberes’. A atividade acontece do lado externo do Museu do Folclore, no mesmo horário que a exposição de longa duração está aberta ao público para visitação.

A capoeira Angola é o estilo mais próximo de como os negros escravos jogavam a capoeira, caracterizada por ser mais lenta e com movimentos furtivos executados perto do solo e em cima. Ela enfatiza as tradições da capoeira, que em sua raiz está ligada aos rituais afro-brasileiros, como o candomblé. A música é cadenciada, orgânica e ritualizada, acompanhada por oito instrumentos.

Música

Sidnei Aparecido Reis (mestre Saci), joseense nascido em 1971, conta que sua paixão pela capoeira Angola surgiu quando conheceu o mestre Cláudio, um baiano que veio a São José dos Campos para divulgar esta linha mais tradicional da capoeira. Para conhecer melhor esta manifestação, ele viveu dois anos na Bahia e um tempo no Rio de Janeiro. Quando voltou abriu sua própria academia, onde procura seguir as tradições que aprendeu. Ele também é professor de educação física e ensina capoeira nas escolas públicas.

Quando criança tentou lutar judô e outras artes marciais, mas sentia-se muito deslocado. Aos 13 anos resolveu procurar a capoeira, imaginando que por causa da cor da pele se sentiria mais integrado, pois nos livros de história ele só via negros envolvidos com a luta. Qual não foi sua surpresa ao se dar conta que era o único negro no grupo onde começou a treinar, mesmo enfrentando a resistência do pai que queria que ele fizesse algo mais ‘nobre’.

Artesanato

Luiz Alberto Souza
Luiz Alberto de Souza nasceu em Três Corações (MG) em 1970 e em 1996 mudou-se para São José dos Campos em busca de trabalho, tendo realizado assistência técnica de eletrônicos. Por ter o espírito aventureiro e libertário procurava tudo que havia de diferente na época e acabou encontrando a capoeira Angola, com a qual identificou-se, depois de ter treinado por anos na capoeira regional.

Hoje ele é professor de arte no ensino público, onde ensina capoeira Angola. Segundo Luiz Alberto, neste estilo de capoeira todos tem que fazer de tudo e saber até mesmo construir os instrumentos. Ele dedicou-se à construção de berimbaus e hoje dá oficinas sobre o assunto. No ‘Museu Vivo’ ele deve ensinar a fazer um berimbau.

Culinária

Denísia Valim Silva
Na culinária, Denísia Valim Silva, mineira de Itajubá (MG) e cozinheira de congelados, vai mostrar como faz um acaçá doce (também pode ser salgado), que tem como ingredientes a farinha de milho branca, leite de vaca, leite de coco e açúcar, embalados em folhas de bananeira cuidadosamente dobradas.

O acaçá é uma comida preparada e oferecida aos orixás (aquele que cuida da nossa cabeça) do candomblé, especificamente Iemanjá, Omulú e Oxalá, em seus dias de festas. Depois de oferecidas aos orixás a comida pode ser consumida pelos convidados da festa. Denísia é Mãe de Santo ou Iolarixá (palavra que define seu cargo na hierarquia do candomblé), apesar de ter nascido em uma família católica.

Fotos: Chico Abelha

Museu do Folclore: Avenida Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade, Santana. Informações: 3924-7318.