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| José Donizetti é um dos 'fazedores' presentes ao 'Museu Vivo' Foto: Chico Abelha |
O Museu do Folclore de São José dos Campos retoma no dia 22 (domingo), entre 14h e 17h, as atividades do Projeto Museu Vivo, realizadas sempre no último domingo de cada mês, entre fevereiro e novembro. No lado externo do museu, diferentes ‘fazedores’ mostram à comunidade seus ‘saberes’ a respeito da cultura popular local e da região.
Os quatro ‘fazedores’ convidados para este domingo vão abordar técnicas tradicionais de construção, dança de Catira e Moçambique, e preparação de um arroz doce e de um ‘baião de dois’. As pessoas presentes podem interagir com os ‘fazedores’ durante as atividades.
O ‘Museu Vivo’ é um complemento da exposição permanente do Museu do Folclore, ‘Patrimônio Imaterial: Folclore e Identidade Regional’, onde a cultura popular está representada nos objetos, fotos e vídeos à disposição do visitante. Durante toda a realização das atividades a exposição permanece aberta para visitação.
O projeto é desenvolvido sob coordenação do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), associação social sem fins lucrativos que mantém convênio com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) para fazer a gestão do Museu do Folclore.
José Donizetti Costa (53 anos), mais conhecido como ‘Biscuit’, cresceu na zona rural de São José dos Campos, onde teve contato com técnicas tradicionais de construção de casas, como o pau-a-pique, e que será apresentada no ‘Museu Vivo’ deste domingo. Ele mora no bairro dos Freitas e sua profissão atual é construtor.
A técnica do pau-a-pique consiste de uma estrutura de bambu na qual é colocado o barro comum, que depois de seco é coberto por uma camada de barro branco (tabatinga) para fazer o acabamento, podendo ou não passar cal para finalizar. José Donizetti utiliza técnicas tradicionais e novas em suas construções, consideradas de boa estética, ecológicas e econômicas.
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| Manoel dos Santos Almeida Foto: Chico Abelha |
Manoel dos Santos Almeida (62 anos) é agricultor e nasceu em Monteiro Lobato. Desde cedo passou a conviver e participar de danças de Moçambique e São Gonçalo. Em 2008, juntamente com o irmão, criou um grupo de Catira e começou a ensaiar e apresentar-se em festas religiosas, eventos cívicos ou comerciais e, também, no Revelando São Paulo. Mais tarde formou um grupo de Moçambique também.
Os dois grupos ensaiam aos domingos no ginásio de esportes de Monteiro Lobato e Manoel dos Santos conta que é rígido, não tolerando bebida ou atraso. Os integrantes são todos católicos, mas ele disse que não teria problema de aceitar evangélicos ou espíritas. E apesar de antigamente as mulheres não poderem dançar nem Moçambique nem Catira, em seus grupos as mulheres são 50%.
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| Maria Beatriz de Andrade Foto: Chico Abelha |
Maria Beatriz Machado de Andrade (68 anos) nasceu no Bairro do Guirra, em São Francisco Xavier, e aprendeu a fazer arroz doce com a mãe, brincando de ‘casinha’ no seu fogão ‘de mentirinha’. Na sua casa não falta doce, que ela mesma prepara num fogão de lenha, mesmo sendo diabética, assim como seu marido.
Maria Beatriz só lastima não poder mais fazer com o leite de vaca da roça, pois rendia mais e ficava mais gostoso. “Com o leite da cidade dá mais trabalho pois é mais ralo, tem que apurar mais tempo para evaporar a água”, conta.
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| Cícera Guedes Foto: Fábio Bueno |
Cícera Guedes Silva nasceu em Petrolina, Pernambuco, e vive em São José dos Campos há quase 25 anos. Veio para cá com o marido e a filha mais velha, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Aqui tiveram mais duas filhas.
Cícera tem muitas lembranças da época em que vivia em sua terra natal, pois foi lá, com sua mãe, que aprendeu a cozinhar baião de dois, bolo de mandioca, feijão verde, cuscuz de milho, bolo de milho, angu, beiju e tapioca; alguns dos pratos que normalmente a família comia.
No ‘Museu Vivo’ Cícera fará o baião de dois, receita que leva feijão de corda (ou feijão verde quando consegue achar), arroz parbolizado, linguiça, bacon e queijo coalho. Para temperar Cícera usa tomate, cebola roxa, pimenta de cheiro e coentro.
Museu do Folclore: Avenida Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade, Santana. Informações: 3924-7318.



