| A dupla de violeiros Os Conquistadores, formada por Zé Simão (à direita) e Carlos Lopes |
Ao longo de 40 anos vivendo da música, o violeiro
Tomas Marcelino Lopes, o Zé Simão, gravou seis LPs de vinil e sete CDs,
vendendo um total de 170 mil discos. Apesar da carreira profissional e do
sucesso conquistado com a dupla Zé Simão e Simãozinho, seu conhecimento musical
não foi obtido em nenhuma escola especializada.
Nascido em São José dos Campos, no bairro Água Soca,
Zé Simão aprendeu a tocar violão acompanhando as Folias de Reis que passavam na
Fazenda Serrote, onde seu pai morava com a família, lidando com o gado e
cuidando da plantação. Depois disso, nunca deixou de tocar, nem mesmo quando
trabalhou um tempo como caminhoneiro.
Hoje, aos 68 anos, seu companheiro de viola é o
primo Carlos Lopes, com quem forma a dupla Os Conquistadores. No domingo (20)
eles estarão no Museu do Folclore de São José dos Campos participando de mais
uma edição do programa Museu Vivo, a segunda do ano.
Receitas
da vovó
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| Reinalda vai faze pé-de-moleque |
Reinalda Conceição da Rosa Barros tinha 15 anos de
idade quando aprendeu a fazer pé-de-moleque com rapadura, com sua vó Aninha e
sua mãe Urvalina. A receita é da sua vó, que passou para a filha e depois para
a neta, numa demonstração clara de que o saber é passado de geração em geração,
fortalecendo a cultura popular.
Aos 68 anos, Reinalda se recorda que foi em São
Bento do Sapucaí, cidade onde nasceu, que também aprendeu a costurar. “Para me
ensinar, minha mãe me pediu para desmanchar e montar uma calça. Fiquei dois
dias mexendo com a roupa”, ressalta. Aos 21 anos veio para São José e durante
muito tempo, mesmo depois de casada, trabalhou como costureira autônoma.
Fuxico
mineiro
“Minha mãe é que começou a fazer, lá em Minas. Ela
começou a fazer e não sei porque ela parou. Aí minhas irmãs, Catarina e
Josefina, fizeram um pouquinho. Depois eu terminei. A maioria desses retalhos
aqui são de roupas que a minha mãe fazia para a gente. Ela costurava para fora
e fazia roupa para a gente. Eu lembro que este xadrezinho era uma blusa minha,
essa era uma saia”.
| Cândida mostra colcha de fuxico |
O relato é da mineira Cândida Morais Bernardes,
nascida em Carmo da Mata, sul de Minas Gerais, e diz respeito a uma colcha de
fuxico mineiro feita pela sua mãe, suas irmãs e por ela, resultado de uma
sabedoria popular que está pulsante até hoje em sua memória. Um saber que ela
continua dividindo com as pessoas, como vai fazer no domingo, durante o Museu
Vivo.
Cândida é uma das representantes da cultura popular
regional, entrevistada no 23º volume da Coleção Cadernos de Folclore, publicado
em 2013 pelo Museu do Folclore e Fundação Cultural Cassiano Ricardo. A edição
pode ser lida pela internet
e está à disposição para leitura na biblioteca do museu.
Todos
os domingos
A atividade do Museu Vivo é aberta ao público e
acontece em todos os domingos do mês, no lado externo do museu, das 14h às 17h,
contando com representantes da cultura popular regional nas áreas de
artesanato, culinária e música. O programa é realizado pelo Museu do Folclore,
que é ligado à Fundação Cultural e tem sua gestão realizada pelo Centro de
Estudos da Cultura Popular (CECP), organização da sociedade civil sem fins
lucrativos.
Museu
do Folclore de SJC
Av. Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade – Santana
(12) 3924-7318
