quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Mês de agosto termina com 'tipiti', tapioca e moda de viola no Museu Vivo deste domingo

Francisco de Paula fazendo um 'tipiti'
Agosto já está terminando, mas no Museu do Folclore de São José dos Campos as demonstrações sobre a cultura popular não param. Neste último domingo do mês (31), os ‘fazedores’ José Soares da Silva (Zé da Viola), Alexandrina Bispo dos Santos e Francisco Rodrigues de Paula aproveitam o tema do Mês do Folclore deste ano – que celebra a cultura da mandioca na agricultura popular – e mostram um pouco da sua sabedoria na música, na culinária e no artesanato.


A atividade é aberta ao público e faz parte do Programa Museu Vivo, realizado entre 14h e 16h no entorno do Museu do Folclore, no Parque da Cidade. Além de apreciar a demonstração, a proposta do programa é que o público possa interagir com os ‘fazedores’, a fim de conhecer mais sobre os seus ‘saberes’.

O ‘tipiti’

A prensa e o 'tipiti'
No artesanato, o ‘fazedor’ Francisco Rodrigues de Paula, nascido no bairro Buquirinha, em São José, vai mostrar como se faz um ‘tipiti’ – balaio de taquaruçú (tipo de taquara), herdado por nós dos indígenas. O utensílio é usado em casas de farinha do Vale do Paraíba para espremer a massa da mandioca ralada, com ajuda de uma prensa de madeira.

Tacho onde a farinha é torrada
O líquido que escorre pelos vãos do ‘tipiti’ é secado ao sol e se transforma no polvilho e depois na tapioca. Já a massa que sobra no interior da peça, também é colocada para secar ou torrar num tacho, resultando na conhecida farinha de mandioca. No passado, compensava fazer estes produtos em casa, pois os locais onde podiam ser comprados ficavam muito distantes.

“Antes de usar o ‘tipiti’ é preciso deixá-lo de molho na água para que fique flexível e não se quebre quando prensado. Sua durabilidade é de um ano, se usado uma vez por mês e guardado na sombra para não ressecar demais”, explica Francisco de Paula.

A tapioca

Alexandrina vai fazer tapioca
A tapioca, como é conhecida em São Paulo, é feita do polvilho (doce ou azedo) da mandioca, mas na Bahia o produto chama ‘beiju’. Foi lá onde a ‘fazedora’ Alexandrina Bispo dos Santos nasceu e aprendeu a fazer o produto. Ela conta que quando criança seu café da manhã era acompanhado de tapioca, pois na roça não havia nem pão nem bolacha.

Hoje ela faz a tapioca de vez em quando para os parentes, que a comem com coco ralado e leite condensado.  “O segredo da preparação é peneirar a goma da tapioca antes de colocar na frigideira sem óleo, não muito quente para não queimar”, informa Alexandrina.

Violeiro

Zé da Viola aprendeu a tocar sozinho
José Soares da Silva, mais conhecido como Zé da Viola, nasceu em São José dos Campos e toca desde os sete anos de idade, época em que pegava o instrumento escondido do pai, que era catireiro. Ele aprendeu a tocar sozinho e formou dupla com o irmão para se apresentar nas emissoras de rádio da cidade.

Mais tarde aprendeu cifras e partituras e hoje dá aulas particulares e também na Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR). José Soares foi pedreiro de profissão, mas a partir de 1991 dedicou-se exclusivamente à musica, que ajuda muito no seu sustento financeiro.

O Programa Museu Vivo é desenvolvido pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) por meio do Museu do Folclore de São José dos Campos, sob gestão do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), que mantém convênio com a entidade.

Fotos: Chico Abelha e Avelino Israel
Vídeo: Chico Abelha

Museu do Folclore: Avenida Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade, Santana. Informações: 3924-7318.